Eder Jofre – referência brasileira no Boxe

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Eder lutava, quando amador, sob as cores do São Paulo Futebol Clube.

É considerado por especialistas internacionais como o maior peso-galo do boxe na era moderna, tendo ficado conhecido pelo apelido “Galinho de Ouro” concedido pelo escritor Benedito Ruy Barbosa.

Eder é vegetariano desde 1956, conforme declarado no documentário A Carne é Fraca produzido pelo Instituto Nina Rosa.

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[tab title=”Eder Jofre 2014 – aos 78 anos”]

11 kg mais magro e com novo diagnóstico, Eder Jofre volta à vida e ao boxe

Maurício Dehò –  Do UOL, em São Paulo – 13/08/2014 – 06h00

Duas das maiores estrelas do boxe brasileiro passam por períodos complicados: Maguila e Eder Jofre. Enquanto o primeiro segue internado com avanços no mal de Alzheimer e um tumor no pulmão, o segundo evoluiu. Há quatro meses, a rotina de Eder Jofre por duas semanas foi ir da casa da filha ao hospital. Hoje, está 11 kg mais magro, mas, com um novo diagnóstico, voltou a se comunicar e, para seu deleite, já voltou a vestir luvas de boxe.

Já com 78 anos, o “Galinho de Ouro” desde o fim dos anos 1990 sofre com alguns esquecimentos e confusões.

Nada que era considerado grave até que, em 2013, ele perdeu sua mulher.

A ausência de Cidinha o levou à depressão e sua situação piorou. Tratado desde então como tendo mal de Alzheimer, o quadro do bicampeão piorou, até chegar à sua pior fase, há quatro meses.

Ele é o único pugilista brasileiro eternizado no Hall of Fame da modalidade. O bicampeão mundial Eder Jofre está no Up to the World Championship
Ele é o único pugilista brasileiro eternizado no Hall of Fame da modalidade. O bicampeão mundial Eder Jofre está no Up to the World Championship

Com dificuldades de deglutição e com uma pneumonia, Eder passou dias indo ao hospital. Foi quando recebeu indicações para se consultar com o médico Renato Anghinah, neurologista que já tinha experiência com casos de traumas na cabeça. Foi ele que, após uma longa bateria de exames, diagnosticou Eder com encefalopatia traumática crônica – antes conhecida como demência pugilística.

A encefalopatia traumática crônica

Antes conhecida como demência pugilística, encefalopatia traumática crônica é causada pela liberação de uma proteína toxina no cérebro, quando há impactos na cabeça. Esportes como boxe, hóquei, futebol americano e até futebol apresentam risco. As concussões rompem neurônios e liberam a proteína, que após anos de acúmulo aumentam a maior probabilidade de desenvolverem doenças degenerativas.

Antonio Oliveira, genro do ex-pugilista, conta que a mudança de tratamento trouxe de volta um pouco do velho Eder Jofre.


 


“Os remédios do Alzheimer podem causar alterações diversas. Ele chegou a ter alguns efeitos colaterais, com dificuldade para falar, para engolir e os médicos iam mudando os remédios. Quando começou a fazer o tratamento adequado, esses problemas se encerraram. Houve algumas mudanças nos cuidados, ele está com os medicamentos corretos e a evolução foi notável. Ver ele hoje e há quatro meses, nem parece a mesma pessoa”, explicou Oliveira.

“Precisamos deixar bem esclarecido que pra gente foi até melhor saber que o problema que ele tem é esse, porque o Alzheimer é muito mais destrutivo. Se tivesse Alzheimer, de fato, ele estaria numa situação pior. Como é a encefalopatia, progride mais lentamente e os remédios são mais leves. Por isso ele teve essa melhora”, adicionou ele, que mora com Eder e a filha do lutador, Andrea. O Alzheimer deixa um prazo de oito a 14 anos para o paciente.

Eder já tinha sintomas que poderiam indicar a doença há mais tempo, mas nunca viu o quadro evoluir em velocidade preocupante. Mesmo com os problemas dos últimos meses, ele diz que não há nenhum arrependimento em ter seguido os passos do pai no boxe, onde conquistou títulos nos galos e penas, os primeiros do Brasil na história.

“O que eu pude tirar do boxe, eu já tirei. Agora, é só acompanhar a carreira de algum pugilista que se destacou ou está se destacando. É gostoso acompanhar uma pessoa assim”, disse Eder, com certa dificuldade e a voz baixa, rouca. Os olhos brilham mais quando fala do pai e técnico, que morreu ainda durante sua carreira no boxe, e das brincadeiras de infância, das pipas às bolinhas de gude.

Éder Jofre (pugilista)Ver boxe é um de seus passatempos prediletos. “Assisto todas as lutas que forem televisionadas”. Suas lutas também estão no cardápio das telinhas. O que ele sente ao rever suas glórias? “Uma certa emoção. Pouca, não muita. Mas é uma emoção que é gostoso eu ver que estou lutando lá e ganhando, por nocaute. Sem dúvida, eu me sinto orgulhoso de ter conseguido levar o nome do Brasil lá fora. Ir lá fora e representar o Brasil e levantar o nome do Brasil no boxe. Isso me deixou orgulhoso. Não convencido. Mas orgulhoso de poder ter defendido o Brasil lá fora.”

O habitat do campeão

A reportagem acompanhou uma tarde de treino de Eder Jofre em uma academia, que representa mais do que uma etapa a mais em sua evolução física. O condicionamento físico está trazendo a mobilidade do ex-lutador de volta, mas, mais que isso, tem efeito psicológico importante para ele.

Em casa, a TV e os videoteipes de lutas no computador fazem sua rotina. Na academia Central Park na região central de São Paulo, ele retoma uma velha rotina. Encontra-se com o personal trainer com quem trabalha há 15 anos, Harry Rosenberg. Expansivo e animado, Harry faz piadas, provoca o lado lutador de Eder em diversas “lutinhas” e o trata com muito carinho, abraçando e tocando o ex-pugilista.

O pugilista Éder Jofre, categoria pesos pena, após assinatura de contrato para a luta contra o argelino Bell Hardy
O pugilista Éder Jofre, categoria pesos pena, após assinatura de contrato para a luta contra o argelino Bell Hardy

Se antes eram horas pulando corda, batendo no saco de areia e fazendo manoplas, agora Eder faz 40 minutos de exercícios. Levanta peso, faz abdominais, reforça a musculatura da perna e, no fim, ganha um prêmio, os pontos altos de sua semana: alguns minutos com as luvas em punho, batendo firme nas manoplas. A felicidade de se ver no seu habitat natural é visível.

“Precisa até segurar um pouco, para ele não exagerar, se não ele já quer pular corda, derrubar os outros”, ri o personal trainer, que explica seu trabalho. “O trabalho é para melhorar a funcionalidade dele. Ele treina força, equilíbrio, e no finalzinho, como ele é um pugilista, fazemos um trabalho bem leve de manoplas, saco de areia, só para ele se sentir no boxe.”

E assim é a rotina. A família vê Eder com 60 ou 70% de seu potencial físico em dia e prevê uma melhora grande nos próximos dois meses. Com a idade e a encefalopatia, no entanto, algumas coisas não voltam e a evolução nunca será completa. Mas, tudo bem, Eder não se queixa. Como gosta de dizer, hoje ele só está aproveitando a vida, e tudo o que o boxe deu a ela. Para o mal, mas também para o bem.

NÚMEROS DO ‘GALINHO’

  • 72 VITÓRIAS

    Teve Eder Jofre: 50 nocautes, com quatro empates e só duas derrotas

  • 1,64 METROS

    Mede o bicampeão, que pesava
    só 53,5 kg na categoria galo

  • 40 ANOS

    Tinha Eder Jofre quando decidiu se afastar definitivamente dos ringues

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Eder Jofre comemora o primeiro Cinturão dos Galos, conquistado em 1960 ao derrotar Eloy Sanchez.

PEQUENO NOTÁVEL: as homenagens a Eder Jofre

– No início da década de 1990, o bicampeão Eder Jofre foi incluído na seleta lista de estrelas do Hall da Fama do boxe.- É considerado por especialistas como o peso galo de maior expressão da história do boxe- Em 2002, foi eleito o nono melhor pugilista do mundo nos últimos 50 anos pela revista Ring.- Considerado em eleição da ESPN como 36º pugilista de maior destaque do boxe mundial

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Biografia

Eder se protege de Eloy Sanchez antes do nocaute - esquerda no fígado e direita na mandíbula
Eder se protege de Eloy Sanchez antes do nocaute – esquerda no fígado e direita na mandíbula

Eder nasceu no centro de São Paulo na Rua do Seminário e posteriormente se mudou para o bairro paulistano do Peruche, já pertencente a uma família de boxeadores.

Seu pai, o argentino José Aristides Jofre, mais conhecido como “Kid Jofre” (1907 – 1974), já havia sido um respeitável pugilista, passando assim os ensinamentos para Eder, que logo aprendeu a “amar a nobre arte”, apesar de sua primeira opção profissional ter sido pelo desenho arquitetônico, curso que realizava em sua adolescência.

Em virtude do desabamento do teto do Liceu de Artes e Ofícios, perdeu o material didático. Após este acidente, Eder optou pelo boxe, responsável pelo seu sucesso profissional.

Em 1953, Eder subia pela primeira vez nos ringues como amador, no torneio “Forja de Campeões”, patrocinado pelo jornal A Gazeta Esportiva.

Ainda na condição de amador, disputou os Jogos olímpicos de 1956 em Melbourne.  Chegou aos jogos como um dos favoritos, já que estava invicto como amador até então, mas devido à aberração da organização brasileira que o fez treinar com um lutador bem maior e cuja consequência foi a quebra de seu nariz, fez com que ele lutasse sem muitas condições, tendo que respirar pela boca, culminando na derrota, em sua segunda luta na competição, por decisão dos jurados para o chileno Claudio Barrientos que após tornar-se profissional voltou novamente a lutar contra Eder e foi derrotado sendo” vítima” de 8 knock downs.

Eder Jofre enfrenta Osmar Croccichia em 1956, ainda antes de se tornar profissional, no ano seguinte
Eder Jofre enfrenta Osmar Croccichia em 1956, ainda antes de se tornar profissional, no ano seguinte

 

Profissionalmente, Eder começou em 1957 na categoria “peso-galo”. No ano seguinte, era já um campeão brasileiro em sua categoria.Em 1960 contra o argentino Ernesto Miranda conquistou o título sul-americano dos “galos” , começando assim, a escrever o seu nome na história do boxe mundial.

Eder Jofre observa Osvaldo Perez no chão em sua terceira luta como profissional, em maio de 1957. Vitória foi por nocaute no décimo assalto.
Eder Jofre observa Osvaldo Perez no chão em sua terceira luta como profissional, em maio de 1957. Vitória foi por nocaute no décimo assalto.

No mesmo ano muda-se para os Estados Unidos e torna-se campeão mundial pela National Boxing Association  , vencendo por nocaute o mexino Eloy Sanchez no Olympic Auditorium.

Um ano depois unifica os títulos da categoria “peso galo” vencendo o irlandês Jhonny Caldwell campeão da versão Européia . Eder conseguiu manter o seu título mundial até 1965, ganhando todas as lutas por nocaute. Nesse ano, em um resultado contestado, foi derrotado pelo japonês “Fighting” Harada.

Em 1966, na revanche, outra derrota de Éder de novo em um resultado controverso, culminando em desilusão para Éder.Mas quando ninguém esperava, em 1970 Eder voltou aos ringues, lutando na categoria “peso pena”.

Foram 25 vitórias, sendo uma delas em cima do gigante cubano José Legra que lhe valeu o título mundial do Conselho Mundial de Boxe ( W.B.C) em uma categoria superior a que ele começou; isso aconteceu em 1973.

Em 1974, seu pai e treinador José Aristides Jofre ( Kid Jofre) vem a falecer e em 1976 devido ao falecimento de irmão Dogalberto, Eder aposentou-se do boxe profissional.

Atualmente

Mesmo após ter se aposentado do esporte, Eder continuou a disputar lutas em forma de exibições – uma delas realizada no Ginásio do Ibirapuera sendo uma das mais notáveis contra Servílio de Oliveira, primeiro medalhista Olímpico do Boxe brasileiro em 1996, veiculada pela Rede Record de televisão.

Eder Jofre conquistou seu primeiro título mundial em 1960. Dois anos depois, unificou o cinturão dos galos.
Eder Jofre conquistou seu primeiro título mundial em 1960. Dois anos depois, unificou o cinturão dos galos.

Eder também foi professor de boxe em uma academia paulistana de classe média-alta treinando modelos, atores, empresários, etc..

Veio a tornar-se ainda um político, ao ser eleito vereador de São Paulo pelo PDS, em 1982. Em 1989, filiou-se ao PSDB – partido ao qual ainda é filiado – de 1989 a 2000.[/tab][tab title=”Cartel e Títulos”]

Cartel

  • 81 lutas
  • 75 vitórias
  • 50 nocautes
  • 4 empates
  • 2 derrotas (os 2 contestados combates contra Harada)

Conquistas

  • Campeão da Forja de Campeões (amador) – 1953
  • Campeão Brasileiro dos galos – 1958
  • Campeão Sul-americano dos galos – 1960
  • Campeão Mundial da AMB (Associação Mundial de Boxe) dos galos – 1960
  • Campeão Unificado (títulos pelas federações americanas e européias) dos galos – 1962
  • Campeão Mundial dos penas pelo CMB (Conselho Mundial de Boxe) – 1973

Prêmios e homenagens

  • Melhor “peso galo” do mundo – 1963
  • Melhor “peso galo” de todos os tempos Conselho Mundial de Boxe (CMB)
  • Melhor na categoria de peso na América Latina – Imprensa da República Dominicana
  • Pugilistas que defenderem com sucesso consecutivamente por no mínimo 5 vezes o título mundial dos pesos-galo pela Associação Mundial de Boxe( A.M.B) recebem o cinturão de super campeão denominado ” Eder Jofre”.
  • Indicado para o “Hall da Fama” do boxe, localizado na cidade de Cannastota, N.Y,Estados Unidos – 1992.2 Até hoje é o único pugilista brasileiro no Hall da Fama.
  • Nono melhor pugilista dos últimos cinqüenta anos – Revista norte-americana “The Ring” – 2002 (Lista que também inclui, por exemplo, Sugar Ray Robinson,Muhammad Ali, Julio Cesar Chavez, Sugar Ray Leonard, Roberto Duran, Carlos Monzón)
  • Citado no mangá japonês Hajime no Ippo pelo seu upper na luta contra Masahiko Harada em Nagoya, Japão, em 1965, onde seu upper acertou o ar e fez um incrível som. Genji Kamogawa compara o upper do protagonista, Ippo Makunouchi, ao de Jofre quando o vê pela primeira vez.
  • Citado na edição de 90º aniversário da revista ” The Ring”, conceituada no âmbito do boxe, como melhor pugilista da década de 60, à frente de Muhammad Ali, que ficou na 2ª colocação. A eleição para essa lista havia sido realizada por especialistas de boxe do mundo inteiro.

Títulos

Precedido por
Jose Becerra
Campeão Mundial dos Pesos-Galo (AMB)
18 de novembro de 1960 – 18 de maio de 1965
Sucedido por
Fighting Harada
Precedido por
Johnny Caldwell
Campeão Mundial dos Pesos-Galo (UEB)
18 de janeiro de 1962– 18 de maio de 1965
Sucedido por
Fighting Harada
Precedido por
Campeão Inaugural
Campeão Mundial dos Pesos-Galo (CMB)
1963 – 18 de maio de 1965
Sucedido por
Fighting Harada
Precedido por
Jose Legra
Campeão Mundial dos Pesos-Pena (CMB)
5 de maio de 1973 – 17 junho de 1974 (aposentadoria)
Sucedido por
Bobby Chacon

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Aos 78 anos, Eder descobri que não tinha Alzheimer, e sim problemas por causa dos golpes na carreira. E com novo tratamento, está até, de volta aos ringues.
Aos 78 anos, Eder descobri que não tinha Alzheimer, e sim problemas por causa dos golpes na carreira. E com novo tratamento, está até, de volta aos ringues.
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